Marcelo Vivaqcua

 

 

 

 

Marcelo Vivacqua

 

O Castelense é apontado pelo INPI – Instituno Nacional da Propriedade Industrial como o inventor do futuro.

       O pesquisador castelense foi premiado pela segunda vez com a medalha de Ouro no Salão do Inventor de Genebra, na Suíça. Marcelo chama atenção pela inovação, e é apontado como exemplo do novo perfil dos inventores brasileiros. Veja abaixo a matéria divulgada no portal oficial do INPI.

 

O novo perfil do inventor brasileiro


Inovação é o negócio de Marcelo Vivacqua. Em abril, este pesquisador capixaba foi premiado pela segunda vez com a medalha de Ouro no Salão do Inventor de Genebra, na Suíça – em 2010, com um sistema para castração animal sem dor e, agora, com um tratamento para câncer em animais.

Mais do que um vencedor, Vivacqua revela um novo perfil de inventor brasileiro. Além das questões científicas, ele lembra que o inventor atual deve se preocupar com a propriedade intelectual e a transferência de tecnologia, entre outros temas, para que sua inovação tenha o melhor retorno possível para si e para a sociedade.

Nesta entrevista ao Portal do INPI, Vivacqua fala de suas pesquisas, das principais dificuldades que um inventor vive e da criatividade que amplia o potencial inovador do povo brasileiro.

1) Qual invenção sua foi premiada no Salão do Inventor?

O nome é ORCANTE (organic cancer treatment), o único produto no mundo composto à base de princípios ativos naturais (bromelina, enzima do abacaxi; papaina, enzima do mamão; e ácido láctico, extraído do leite) com efeitos comprovados na cura de vários tipos de câncer nos animais.

2) Como você chegou a esta inovação?

É preciso citar nossa outra invenção premiada com o Ouro no Salão de Genebra de 2010, o StopSex100 (ácido láctico e papaína), indicado para a castração animal sem causar dor e efeitos tóxicos, visto que, após a aplicação intratesticular, promove uma lesão irreversível do órgão e a esterilização. Esta foi a base de nossas pesquisas na área do tratamento do câncer. A partir dos estudos realizados “in vitro” com células cancerígenas, verificamos um efeito surpreendente quando adicionamos à formulação a bromelina. A associação destes três princípios ativos na proporção correta causou uma potencialização dos efeitos da solução. O próximo passo foi o teste em animais, autorizados pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Espírito Santo e hoje, após mais de 100 animais tratados com sucesso, nós, com a anuência de muitos médicos, já vislumbramos a possibilidade do uso bem sucedido em alguns tipos de câncer epitelial, tal como o melanoma e o câncer de mama.

3) Qual é a etapa mais difícil para um inventor: provar que sua ideia pode funcionar, encontrar financiamento e/ou uma empresa para produzir ou obter a proteção do invento?

Pormais relevante que seja a idéia, por mais nobre a sua função, como é o caso do Orcante, que pode vir a salvar a vida de milhões de animais (o que já está acontecendo) e de humanos, não há como o inventor se iludir achando que ganhará milhões em pouco tempo. Aliás o maior pecado que a maioria dos inventores comete é o de se preocupar somente com a “ciência”, sem vislumbrar as perspectivas de “mercado”.

O inventor hoje para ser bem sucedido tem que reunir muitos talentos além daquele de ter “insights”, pois isso não é mais suficiente. Há necesidade de se adquirir conhecimentos na área da propriedade intelectual, contratos, mercados, concorrência, domínio do Inglês, etc.

Caso o inventor dispenda seus dias e noites dentro dos laboratórios ele corre o sério risco de ver a sua idèia ser utilizada indevidamente, desperdiçar o investimento requerendo patentes de produtos sem perfil de mercado e no final sentir-se frustrado, decepcionado, impotente e deprimido por ver o seu sonho não se concretizar. Nesse ponto se reveste de suma importância se cercar de pssoas sérias, competentes e,acima de tudo, honestas.

4) De onde surgem as grandes ideias?

Sem dúvida da observação. O conceito simplificado que uma invenção não é nada mais do que a solução de um problema técnico é perfeita. A diferença da época de Archimedes é que as grandes invenções, na sua maioria, não nascem somente de momentos de descanso dentro de uma banheira ou quando se dorme debaixo de uma árvore, mas sim da pesquisa e estudo sobre as necessidades da Humanidade. No meu caso, isso ocorreu em decorrência da insatisfação em ver os animais sendo tratados por métodos medievais de castração sem nenhum tipo de anestesia e do sofrimento dos portadores de câncer com os métodos convencionais de tratamento, como a quimioterapia e a radioterapia. Eu tive esta experiência com o meu pai e sei o sofrimento ao qual eles e a nossa família ficamos expostos.

5) Na sua opinião, o brasileiro é um povo inovador?

Certamente. Milhões de brasileiros sobrevivem e sustentam as suas famílias com um salário de menos de 300 dólares. Os portugueses e espanhóis, por exemplo, que vivem uma grave crise, ganham mais do que o dobro. O salário mínimo na Suíça é de 8 mil reais! Apesar destas discrepantes diferenças, eu não vi nesse meu giro pela Europa ninguém com o bom humor e estado de espírito do brasileiro. Na Europa, eles costumam elogiar os brasileiros por ser um povo que não sofre por antecedência, espera o problema acontecer para se preocupar.

Analisando sob o ponto de vista da inovação tecnológica, eu não tenho a menor dúvida de que, se existissem mais linhas de financiamento dos órgãos de fomento disponíveis aos pesquisadores, independente de sua titulação e publicações científicas, mas somente pelo mérito e possibilidade real de gerar um produto ou serviço que viesse promover melhorias para a sociedade, certamente já estaríamos incluídos no grupo de elite dos países exportadores de ciência e tecnologia e não somente commodities, como acontece hoje, quando exportamos o bloco de mármore e importamos o produto final privando o Brasil de empregos e renda.

Seria ótimo que houvessem mais entidades como a FAPES (Fundação de Apoio à Pesquisa do Espírito Santo), a CAPES e a FACASTELO que vêm me apoiando financeiramente nas pesquisas. Também agradeço pelo apoio do Instituto Brasileiro de Inovação (IBI) e por todas as orientações precisas e o atendimento qualificado do INPI. Sem esses auxílios, certamente, os resultados demorariam muito mais a aparecer.

Aliás, gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer que recebemos o convite para apresentar o projeto na Fundação Champalimaud em Lisboa, uma das referências mundiais na área de câncer, além de termos sido sondados por representantes de diversos países durante a Feira sobre o nosso interesse em desenvolver as pesquisas nos seus países. Confesso que o nosso desejo é desenvolver o trabalho aqui no Brasil, mas para isso precisamos de recursos financeiros.

Fonte: INPI – Instituno Nacional da Propriedade Industrial